Aqui estamos os quatro em nosso primeiro encontro na Bélgica. O carro estava alugado no estacionamento e de lá iríamos sair em 15 minutos para Kortrijk A primeira cidade em que ficamos na Bélgica se chama Kortrijk. Nem tente pronunciar este nome, nem qualquer outro nome em flamengo, ou holandês.
O Gouda, dos queijos, tem uma pronúncia local com um som rascante vindo da garganta mais parecido Rrrouada. Algo impensável para gente que fala português... Imagine Kortrijk.
Kortrijk é o nome de uma cidade de Flandres em flamengo – o holandês falado no país – Em francês (a outra língua oficial da Bélgica)seu nome é Courtrai. Mas, não existe
uma única placa com este nome em francês em toda a cidade.
Estranho, não é? Uma cidade que tem dois nomes, em duas línguas oficiais do país, e não exibe nas suas ruas, ou nas estradas que levam a ela, uma única placa em que apareçam os dois nomes...
Isto poderia ser visto como uma simples curiosidade, coisa de europeus, mas este fato me levou a crer que por trás dele poderia estar uma parte da explicação do grande mistério que a Bélgica representava para mim...
Um país em que os selos colecionados na infância tinham escrito Belgie-Belgique. Até nos selos eles faziam questão de afirmarem sua dualidade como país.
Por isto, logo ao chegar ao Hotel Belfort, na praça central de Kortrijk, pensei mais nas duas Bélgicas.
Embora se pense na Bélgica como um só país, na verdade a Bélgica são dois países separados por claras fronteiras internas. E as duas Bélgicas demonstram não se curtirem muito: elas têm grandes diferenças entre as etnias que se tornam ainda mais acentuadas quando os números da economia são examinados.
O Brasil também não é um país só. Basta prestar atenção. Nada pode ser mais diferente que um município da Amazônia e outro numa colônia de origem italiana no Rio Grande do Sul.
Se você quiser descobrir países diferentes no Brasil vai achar muitos outros exemplos.
Só que na Bélgica estes dois países foram definidos no século XIX como a solução desejada por todos. Portanto, mais de 100 anos depois, deveria funcionar muito bem – como funciona na Suíça, ali ao lado.
Mas ao visitar a Bélgica se percebe que o entendimento dos belgas de fala francesa com os belgas de fala flamenga só não incomoda mais a eles por que um lado não liga muito para outro, exceto quando as questões se relacionam às finanças.
Chegamos à Bélgica de trem - TGV - na estação do Midi em Bruxelas (a única cidade que tem as duas Bélgicas reunidas numa só) depois de passarmos três dias em Paris.
Umas observações rápidas sobre Paris para depois voltar a falar de KortrijkParis é uma cidade global. No ranking das mais visitadas publicado pela Folha
de São Paulo está a justificativa de você andar por ruas em que se falam todas as línguas do mundo.
O que espanta mais é que aparentemente aquela gente de fora, nós inclusive, não parecemos turistas típicos, como os que visitam a Disneyland. Parece que todos visitantes vão fazer alguma coisa lá. Poucos são os que vão apenas para passear, como no passado.
Nesta linha de raciocínio aposto que vai ter uma surpresa ao verificar que a cidade mais visitada do mundo é Londres.Paris com quase 10 milhões de visitantes por ano é a terceira, depois de Bancoc, a que fica em segundo lugar!
AS CIDADES MAIS VISITADAS NO MUNDO (número de visitantes em milhões de pessoas por ano) 1.
1. *Londres - 15, 640
2. *Bancoc - 10, 350
3. *Paris - 9, 700
4. Cingapura - 9, 502
5. *Hong Kong - 8, 139
6. *Nova York - 6, 219
7. Dubai - 6, 120
8. *Roma - 6, 033
9. Seul - 4, 920
10. *Barcelona - 4, 695
11. Dublin - 4, 469
12. Bahrein - 4, 418
13. Xangai - 4, 315
14. *Toronto - 4, 160
15. Kuala Lumpur - 4, 125
16. *Istambul - 3, 994
17. *Madri - 3, 921
18. *Amsterdã - 3, 901
19. Meca - 3, 800
20. Praga - 3, 702
21. Moscou - 3, 695
22. Pequim - 3, 593
23. *Viena - 3, 339
24. Taipé - 3, 280
25. São Petersburgo - 3, 200
26. Cancún - 3, 074
27. Macau - 3, 072
28. *Veneza - 2, 927
29. Varsóvia - 2, 925
30. *México - 2, 823
31. Los Angeles - 2, 513
32. Guangzhou - 2, 512
33. Benidorm - 2, 457
34. Berlim - 2, 309
35. *Rio de Janeiro - 2, 185
Marquei com um * as cidades que conheço e fica evidente que estou longe de ser um grande viajante internacional. Mas, presto muita atenção ao que vejo, pelo menos...
Olhando esta lista, percebemos que Seul é mais visitada do que Barcelona ou Madri.
Que Macau (deve ser pela atração do jogo em casinos) recebe mais gente do que Veneza, México, ou Los Angeles.
E que o Rio é a 35ª cidade turística do mundo. Coisa que nem imaginava. Nem se fala de São Paulo, nem de Buenos Aires neste ranking.
Quando chegamos a Paris em setembro de 2010 lembramos de nossa primeira visita à cidade em maio de 1968. Naquela ocasião o pau estava comendo nas ruas. O hotel em que ficamos, o Du Levant, ficava no miolo da confusão e a partir dele pudemos assistir a história acontecer, bastando sair para a rua.
Havia estudantes e policiais em conflito. Havia gás lacrimogêneo, passeatas, barricadas feitas com paralelepípedos e estudantes por todos os lados. Desta vez não foi um vigésimo daquilo.
Começamos a perceber que estava se armando nova confusão histórica ao constatarmos a ocupação crescente da cidade por ativistas da FO – Force Ouvriere.
Gente identificada por braçadeiras com o FO e ar zangado nas caras sérias para organizar passeatas desta vez contra a elevação da idade mínima para a aposentadoria para mais dois anos...
Não iam aceitar a proposta do Sarkozy, qualificado juntamente com a Carla Bruni com os piores adjetivos imagináveis. O problema é que as contas do país não vão fechar e nem com dois anos a mais de trabalho e contribuições os franceses vão encontrar a saída.
O notável no espírito dos franceses que inventaram o
Liberté, égalité, fraternité é a sua disposição de protestar marchando em bloco. Em setembro de 2010, as senhoras e os senhores (muito mais do que os estudantes) - que em 1968 ainda deviam estar no jardim de infância - se preparavam seriamente para repetir nas mesmas ruas as passeatas de protesto (sem barricadas e sem confrontos com os flics desta vez) que seus pais haviam feito.
Os três dias em Paris se tornaram numa oportunidade de vivermos este novo momento histórico francês ao vivo, se bem que desconfiássemos que toda aquela agitação de nada iria adiantar, como depois de nossa volta se confirmou.
A solução das contas internas na França e no resto da Europa não tem como fugir das antigas operações aritméticas. Dois mais dois serão sempre quatro, e não adianta dizer que o presidente é uma besta e sua esposa uma “vadia” na tradução mais gentil que posso fazer dos adjetivos que ouvi
Esta é a vantagem de uma visita rápida: chegar a soluções simplistas para complexos problemas Por isto convido a todos para voltarmos à Bélgica.
.Fomos para Bélgica no trem de alta velocidade em que embarcamos por volta das 11 da manhã na Gare Du Nort em Paris para chegarmos a Bruxelas na hora do almoço pouco mais de uma hora depois.
Como o TGV está nos planos do Brasil prestei atenção a alguns detalhes que tendemos a deixar de lado quando não temos um interesse maior sobre ele.
A Gare Du Nort, em Paris, se parece com qualquer charmosa gare antiga do mundo. De um lado há guichês para a compra de bilhetes, e até uma atenção maior na área de venda dos bilhetes do TGV para Bruxelas.
Do outro lado estão as plataformas de onde saem os trens.
Mas, depois de comprar as passagens não havia carregadores à vista para levar as nossas malas até o vagão.
O trem já estava encostado na plataforma. E nós tivemos de achar o nosso vagão rebocando as nossas malas com rodinhas, sem maiores dificuldades, pois é para isto que as malas têm rodinhas.
Sem maiores dificuldades também porque não estava chovendo. Se estivesse, como o trem se estendia para bem além da cobertura da estação, teríamos de nos virar com capas e guarda chuvas e mais as malas com rodinhas...
A aparente extravagância financeira de comprar dois bilhetes de primeira classe (mais ou menos 100 euros a mais) , se deveu a um preconceito meu em relação a viajar perto de europeus que fogem dos banhos e à lavagem regular de suas roupas.
No vagão da primeira classe os assentos de luxo são muito mais espaçosos: têm dois lugares de um lado do corredor e um isolado no outro lado. No TGV que tomamos há alguns anos para Londres, as poltronas tinham três assentos e uma terceira pessoa podia juntar-se a nós.
Se a diferença de preço fosse maior estava disposto a encarar o risco de um vizinho (ou vizinha) com um CC assassino, mas ao avaliar o custo benefício de uma hora com segurança de maus odores achei que o investimento de 100 euros valia a pena.
E o investimento se pagou! Já sentados na nossa primeira classe, surgiu um cidadão que atacava os circunstantes a uma boa distância com a sua “guerra química” particular.
Graças ao bom Deus foi sentar-se bem longe de nossos assentos e de nosso olfato.
Ao escrever sobre isto tenho a certeza de estar fazendo o tipo de coisa politicamente incorreta.
Mas, não posso deixar o tema do CC de lado para que não perca a oportunidade de dar esta dica de viagem para os amigos e leitores preconceituosos como eu em relação a este aspecto da
cultura européia, para dizer o mínimo.
Desde lá declaro reconhecer o direito de franceses, e europeus em geral, de achar estes cuidados para fugir ao CC o máximo da frescura podendo eles listar uma infinidade de coisas chocantes para eles no Brasil, muito mais importantes do que o mau cheiro das pessoas.
Nem vou fazer a nossa lista, pois há muita coisa, mas meu problema na viagem à Europa
era fugir do CC deles por lá E este era um problema que pude tomar providências para evitar, gastando uns 100 euros a mais.
Também, bem instalado nesta nova viagem no TGV prestei atenção a um detalhe importante:
Não se percebe qualquer ruído nem qualquer vibração quando o trem se desloca. Nas emendas dos trilhos você não ouve aquele
troc-troc, que sempre associamos a viagens de trem. Isto não existe no TGV.
A linha férrea é tão lisa como o melhor asfalto, e os trilhos aparentemente não têm juntas que eu, um ignorante em engenharia ferroviária, sempre achei essenciais para evitar que os trilhos dilatados pelo calor ao sol forte se soltassem e fizessem os trens descarrilarem quando a temperatura do dia mudasse...
Parece que estamos num elevador rápido que se desloca na horizontal. Talvez se houvesse a vibração do troc-troc a 400 quilômetros por hora os vagões se desmontassem.
O trem acelera suavemente e só nos cabe olhar pelas janelas e ver o cenário passar cada vez mais veloz como num filme mudo a cores e em três dimensões.
E o que vemos da janela de Paris a Bruxelas são cenários em que quase qualquer foto isolada poderia se tornar num cartão postal.
Pequenas cidades, com casas muito bem conservadas, ruas vazias e limpas, igrejas com torres antigas e seus antigos relógios (
até o século XIX o relógio da igreja era a única hora disponível para a população) e mais, pequenas fábricas, fazendas com pequenas plantações, tudo pequeno com muito verde passando depressa pela janela.
A Bélgica é feita destes panoramas pequenos em todas as suas regiões: é um país quase plano, com uma infinidade de vilas e pequenas cidades cujas histórias militares
assustadoras formam um contraste impressionante com o cenário bucólico visto no presente.
Ao chegarmos a Bruxelas nos encontramos com a Lúcia e o Alcides (que aparecem na foto de abertura deste blog em Kortrijk) e com eles fomos pegar o carro que alugamos do Brasil – um Citroen Picasso C4 diesel equipado com um GPS - que nos levou em menos de uma hora até Kotrijk.
Pode parecer coisa de gente idosa, mas com o GPS se torna impossível haver qualquer problema para saber onde entrar, quê estrada preferir, em quê placas acreditar mais.
O GPS mudou a forma de fazer turismo em automóveis da mesma forma que o GPS em barcos e veleiros permite a qualquer imbecil saber onde está em qualquer lugar dos mares, sem sextantes ou cronômetros.
No GPS do carro basta seguir o que a moça fala por trás da telinha e acreditar nela..
Ela e seus satélites conhecem cada viela onde quer que você se meta até os números das casas. Se você decide fugir ao que ela está dizendo não se preocupe. Ela faz todos os cálculos de novo, sem reclamar, quantas vezes for preciso.
Por que iniciar nossa viagem de férias conjunta por uma cidade de que até pouco tempo antes nunca tínhamos ouvido falar ?
E por que ir visitar a Bélgica? As decisões não muito planejadas é que dão mais graça às viagens de recreio. Ao optar por estas “aventuras” você tem a certeza antecipada de que vai auferir prazeres insuspeitados.
Nós fomos para Kortrijk por que a Lúcia tem uma irmã fonoaudióloga e professora universitária, que num congresso internacional conheceu um professor belga da mesma especialidade. O relacionamento cresceu e o casal decidiu ter endereços em Kortrijk e no Brasil.
Kortrijk, para a nossa sorte, é melhor escolha para quem como o John é professor na universidade de Gent a 30 minutos de lá de carro.
A sua universidade fica mais perto do que a Barra da Tijuca fica do centro do Rio.
Ele mora numa casa construída no século XII ou XIII e nela encontra um sossego milenar para escrever seus trabalhos. A única perturbação vem dos sinos da igreja vizinha – parede com parede – nas horas previstas.
Mas gente que tem relógios carrilhões em casa se perturba da mesma forma e com muito menos charme do que com o carrilhão de uma igreja do século XII.
Kortrijk é também a melhor alternativa para quem queira visitar a Bélgica e fazer de lá a sua base para ir às outras cidades e entender melhor o como o país e vizinhança funcionam.
De Kortrijk tudo é perto. Cidades como Ostende, Bruges, Antuérpia, Amsterdã, na Holanda e Luxemburgo, tudo fica a distâncias equivalentes a se ir do Rio para a Serra ou para a região dos lagos por estradas impecáveis.
Viajar é mais gostoso quando podemos nos fazer de exploradores que tentam entender, sem maiores riscos, como vivem os “aborígenes”. Tentar descobrir como adquiriram os seus usos e costumes presentes (como serem os reis dos chocolates, serem os criadores dos waffles e serem a terra da Audrey Hepburn, não necessariamente nesta ordem...) .
Por isto, além do que se pode ver nas ruas, e em a Kortrijk foi assim, tornou-se muito mais instigante descobrir por que tudo aquilo foi parar ali. Em Kortrijk e na Bélgica, há muitos mistérios para decifrar.
Houve, por exemplo, uma
“guerra das esporas de ouro”, em 1240, em que Kortrijk foi arrasada. E arrasado na idade média era arrasado mesmo. Não sobrava nada em pé. Nem casas nem gente, incluindo adultos, velhos e crianças.
Mas, bastam umas dezenas de anos - o que não é muito para uma cidade com mais de 1 000 - para que tudo o que existia voltar a estar lá de novo, sob nova administração.
Por que deixar tudo arrasado? Não é somente para demonstrar que se ganhou a batalha: é preciso arrasar para demonstrar a raiva. Uma raiva beirando o irracional, que de certa forma continua a existir ainda hoje. Dew gente que fala francês contra gente que fala flamengo.
A Bélgica é um país instalado numa região bem diferente de tudo ao que nós aqui estamos acostumados a ver.
Enquanto o Brasil tem morros com matas e árvores, montanhas escarpadas, pedrugos de granito como o Pão de Açúcar, grandes florestas fechadas, pantanais, terras agrícolas maiores do que países (tudo isto espalhado em áreas quase sempre habitadas, com gente nas ruas, crianças em profusão jogando bola) na Bélgica acontece exatamente o oposto.
Vendo de longe é divertido constatar que ao vivermos em meio a esta riqueza de cenários - que adoramos criticar - sentimos a sua falta quando nos deparamos com o oposto.
O estado do Rio é um pouco menor do que a Bélgica. As estradas belgas são um luxo, suas cidades são bem organizadas, limpas e bem sinalizadas. Não existe nada que se possa parecer caos urbano, nem mesmo uma pequena bagunça urbana... E também não existem favelas.
Até os pedintes (que existem aqui e ali ) usam ternos. A motivação deles é mais térmica do que referente à elegância. Mas, é bem diferente alguém pedir esmolas de terno, sem gravata é verdade, mas de terno e falando em flamengo...
A Bélgica, além destes detalhes, tem um rei, que não se chama como seria de esperar de “
rei da Bélgica”, mas
rei dos belgas. A explicação para esta sutileza é que pela constituição definida depois do país tornar-se independente dos Países Baixos, definiu que o rei reina sobre uma comunidade e não sobre um território onde a comunidade vive. As pessoas seriam assim mais importantes do que o solo. Ele é o rei das pessoas belgas e não o rei das terras em que a Bélgica foi instalada.
Coisa sutil paca. O tipo de conhecimento que leva você a filosofar sobre este negócio de ser rei, de pertencer a famílias com os mesmos sobrenomes que reinam sobre uma porção de países diferentes, casam com seus primos e primas, entram em guerra de quando em quando, e levam os seus países a guerras e mais guerras em que as fronteiras se expandem e se retraem depois de uma porção de gente ser sacrificada.
O primeiro rei dos belgas foi Leopoldo I em 1832, quando o país tornou-se independente. Depois dele veio o Leopoldo II que merecerá alguns parágrafos nada lisongeiros mais adiante neste texto.
Agora esqueça tudo o que leu sobre esta história tão bem engendrada sobre
rei dos belgas: os príncipes belgas são reconhecidos e chamados de
príncipes da Bélgica. Parece contraditório, não é? E invalida toda a história anterior, não é?
Em função destas coisas é que os belgas ganharam uma reputação de meio enrolados, de meio confusos e não sou eu, neste texto de observações sobre uma viagem que vou resolver este problema...
Para existir os belgas elaboraram um sistema administrativo combinando os interesses (conflitantes) de seus dois principais grupos lingüísticos – os de língua francesa e os que falam flamengo.
A família real garantiu a seus príncipes um lugar cativo no congresso. Basta ser príncipe para se qualificar como senador.
O desafio dos ministros é harmonizar os interesses de toda ordem dos belgas que falam flamengo (em Flandres) os dos belgas que falam francês, no Vaulois. Sem descontentar uns 40 mil que falam alemão...
Seria muito difícil uma organização assim funcionar sem atritos. E não funciona.
Embora a Suíça demonstre que isto tem sido possível, desde que o país não participe de guerras. Na Bélgica os belgas que falam flamengo ganham mais dinheiro e são administradores mais eficientes do que os que falam francês.
Para chegar ao que é hoje o país passou por grandes mudanças ao longo da história. A área em que ele está é a fronteira entre os europeus do norte (germânicos) e os europeus do sul (franceses e latinos) que se têm dedicado a guerrear entre si com renovado afinco sempre que achem (um lado ou o outro) que têm mais forças.
O território da Bélgica se fosse projetado como cenário para grandes batalhas teria saído melhor do que a encomenda. E uma encomenda que vem sendo testada ao longo de centenas de anos.
Mas, este lado soturno da história não é percebido pelo visitante de hoje. Quando fui presidente de uma agência de marketing direto multinacional aprendi numa reunião na Europa que havia um grande problema para criar malas diretas na Bélgica: cada carta ou folheto tinha de combinar criatividade e os aspectos legais tendo de usar duas línguas ao mesmo tempo.
O texto deveria ser apresentado obrigatoriamente em francês e em flamengo exigindo o dobro do espaço, pois se isto não fosse feito a agência ou o cliente seriam processados.
Caramba, um país pequeno deste jeito, e TUDO tinha de ser escrito em duas línguas?
Pronto, aí começava e terminava o meu conhecimento sobre as peculiaridades da Bélgica.
Nunca me vi obrigado a saber mais. Imaginava apenas que cumpridas estas regras tudo correria bem para eles que tinham uma pedra de roseta em cada envelope, permitindo saber como falavam e escreviam aquelas coisas em duas línguas.
O assunto tornou-se para mim uma boa
conversation piece.
Mas quando você dá mais atenção a esta peculiaridade pode deduzir que o problema deve ser maior.
Se é preciso mesmo escrever em duas línguas é porque os belgas que falavam flamengo não entendiam francês e vice-versa. A providência de ter os textos nas duas línguas não era apenas uma providência política, mas uma necessidade para poder se fazer entendido.
E a briga entre as duas facções continua séria. O governo, enquanto estávamos lá, não conseguia chegar a acordos para formar um novo ministério, mas do lado de fora, no mundo, não se tomava conhecimento disto.
Para ganhar espaço nas páginas de noticiário internacional seria preciso um assunto mais sério. Precisa ter gente presa, gente levando pancada, gente morrendo. Esta conversa de montar um governo com belgas de fala francesa e belgas de fala holandesa na cabeça dos editores internacionais tem mais cara de problema local do que notícia para competir com uma guerra das Coréias, por exemplo.
Mas, isto tudo foi apenas um pano de fundo quase imperceptível da nossa viagem que foi muito prazerosa.
Percorrer a Bélgica de carro é fácil e seguro. Os pequenos cenários se sucedem como se os contra-regras de um teatro quisessem mostrar todo o estoque de cenários em menos de uma hora de espetáculo.
Cito sempre o tempo curto, pois, se você dirigir em alta velocidade em qualquer direção por mais de uma hora sairá quase sem perceber da Bélgica para a Alemanha, Holanda, Luxemburgo, França ou Suíça. Na Bélgica tudo é perto de tudo. O país é praticamente plano. O seu ponto culminante fica a 600 e poucos metros de altitude na floresta das Ardenas; é mais baixo do que o Corcovado, no Rio de Janeiro.
Não foi sem motivo que o território belga se tornou no grande campo de batalha da Europa.
Todos os exércitos, desde a era da pedra lascada passando pelos soldados com uniformes coloridos marchando ao som de cornetas e tambores até chegar aos uniformes verde-oliva da primeira e da segunda guerras mundiais todos eles se mataram e morreram naqueles belos campos belgas.
A costa da Bélgica em frente ao Mar do Norte tem apenas 65 quilômetros, mais ou menos a extensão das costas do Piauí diante do Atlântico. Só que o Piauí tem mais ou menos 4 vezes a área da Bélgica.
Mas, a costa belga é considerada a mais bela da Europa diante do Oceano Atlântico do qual o Mar do Norte é uma parte.
A beleza do lugar onde se vive tem sempre uma grande influência na vida das pessoas.
Beleza na natureza sempre corresponde à mais beleza nas criações humanas existentes em cada lugar. E a Bélgica pequena, dividida, com uma população pequena tem atrações para visitantes de todos os gostos.
Os cenários que nós vemos com prazer das janelas de um carro rodando em velocidade foram vistos com uma atenção imensa pelos oficiais que tinham de lutar contra outros exércitos escondidos por trás de algumas árvores aqui e ali. Quem não prestasse atenção morria.
E morreram alguns milhares soldados na Bélgica ao longo da história. Não eram necessariamente belgas, mais europeus em geral.
Vou citar um nome:
Ardenas.No século XX, as Ardenas foram consideradas território pouco propício para manobras militares devido ao seu terreno mais acidentado e sua densidade florestal. Contudo, as Ardenas foram o percurso preferido pelos alemães quer na Primeira, quer na Segunda Guerra Mundial, para rapidamente atingir pontos mais fracos da defesa francesa.
As Ardenas foram palco de grandes batalhas como:
• Batalha das Ardenas - Primeira Guerra Mundial, (21-23 de agosto de 1914)
• Batalha de França - Segunda Guerra Mundial (10 de maio - 22 de junho de 1940)
• Batalha do Bulge - Segunda Guerra Mundial (16 de dezembro de 1944 - 30 de janeiro de 1945)
Até hoje são achadas nas Ardenas bombas que não explodiram e que são devidamente detonadas pelas autoridades de segurança na base de mais de 50 por ano.
Diante de tanta guerra podemos pensar por que o país não teria sido ocupado por um dos lados que tivesse mais poderio militar e acabasse de vez com este estado tão diferente.
Ora, a Bélgica só se tornou em um país devido à capacidade de negociação de seus dirigentes. Foram eles que inventaram, logo depois da Segunda Guerra Mundial, a Benelux.
Benelux é a organização econômica de onde nasceu o que seria mais tarde a União Européia.Compreende a Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo, sendo inicialmente uma área de livre comércio entre estes três países, e mais tarde, com a adição da Itália, Alemanha e França acabou por criar a Comunidade Econômica Européia (CEE).
Quem inventou a nova Europa foram os inventores da Benelux, o que já é um grande feito.
E mais uma prova de que não existem mágicas em geopolítica. Nada acontece por acaso.
Quando o país não tem força militar deve ter capacidade diplomática para negociar. E a Bélgica com suas contradições está aí para comprovar a afirmação jornalística feita neste parágrafo.
O Tratado de criação do Benelux (Union Économique Benelux) foi firmado em 3 de fevereiro de 1958 pela Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo, e entrou em vigor em 1º de novembro de 1960. O nome Benelux foi utilizado pela primeira vez neste tratado; é formado pelas iniciais dos nomes dos três países: BElgië, NEderland e LUXembourg.
A Benelux tinha como objetivos estimular o comércio e eliminar as barreiras alfandegárias.
E agora a nova importância de Bruxelas, independente das atribulações em satisfazer os belgas. A organização era regida pelo denominado Parlamento da Benelux, fundado em 1955. O Parlamento era composto de 49 membros, sendo 21 da Bélgica, 21 dos Países Baixos e 7 de Luxemburgo. O tratado que estabeleceu oficialmente a Benelux garante também o direito de livre comércio e deslocamento de cidadãos entre os países-membros, dando-lhes total estímulo comercial.
Bruxelas, além de ser a sede da UE, também é reconhecida como a cidade-sede da Benelux.
A pequena Bélgica tornou-se mais importante quando passou a abrigar a capital da nova Europa.
O que de fato é uma reviravolta de 180º na história recente do país que visitávamos.
Além das informações no seminário de marketing sobre os textos das cartas serem obrigatoriamente em duas línguas eu guardava meio soterrada, propositalmente deixada de lado, outra informação sobre a Bélgica, ocorrida algumas décadas antes.
Diante da viagem prazerosa, do que vimos e aproveitamos na nossa rápida visita nem queria tocar no assunto, mas ao escrever sobre a capacidade de negociar dos belgas fui sendo lentamente levado a cometer um “sincericídio” em relação às pessoas que lá me receberam tão bem.
Minha outra referência na memória sobre a Bélgica - e sobre os belgas - se chamou Congo Belga. Não vou contar aqui a história do Congo, mas vou usar fatos históricos lá ocorridos para dar uma luz sobre a capacidade dos seres humanos se superarem na tarefa de atuarem como demônios cuja existência num inferno imaginado seria considerada um absurdo pelo mais desvariado ficcionista.
Vou simplificar esta afirmação vou recorrer a uma metáfora:
Alguma vez você se perguntou como foi possível a Alemanha onde nasceram Bethoven, Bach, Goethe, Kant,(uma região que valorizava e criava a cultura, onde a filosofia encontrou a língua perfeita para exprimir sutilezas do pensamento humano) ter gerado, apoiado e ter-se aproveitado das barbaridades criadas pelos nazistas e pelo Hitler?
Todo que possa existir de mais cruel dos homens sem a menor compaixão pelos outros foi incrustado num povo todo por um cara quase iletrado, porém dotado de uma retórica avassaladora.
Este povo todo (claro que com as excessões dos parentes e amigos dos que me leem)tratou de caçar e exterminar judeus, ciganos, homosexuais, eslavos, poloneses, dissidentes com um empenho difícil de ser perdoado.
Não vou fazer aqui o texto do antinazismo, antigermanismo convulsivo, pois este blog é sobre as férias de 2010 do Pio. E estou usando esta referência aos nazistas por ser reconhecida por todos e para demonstrar que os belgas dos chocolates, dos waflles, da Audrey Hepburn foram muito mais terríveis do que os nazistas e do que todos os alemães rubicundos que levantavam os braços dizendo
Heil Hitler com mais fé do que qualquer fanático em qualquer religião já inventada.
O Congo, onde nasceu o goleiro que comemora os gols pulando de bunda no chão às gargalhadas, foi dado a Leopoldo II da Bélgica num tratado assinado em Berlim no fim do século XIX.
O Congo foi dado a ele – o rei dos Belgas e não à Bélgica, que fique bem claro isto.
Na sua fazendona africana pelo menos 15 vezes maior do que a Bélgica Leopoldo que lá jamais pôs os pés, viu que os céus lhe haviam proporcionado a oportunidade de muita riqueza.
Mandou para lá belgas e disse a eles que trouxessem todo o marfim que pudessem colher e toda a borracha que pudessem achar.
O marfim para ser colhido requer que o elefante que o ostenta sob a forma de dentes seja morto. E que os dentes sejam retirados e transportados para um porto do oceano Atlântico.
Tribos inteiras daqueles caras que hoje comemoram seus gols alegremente pulando sobre a bunda foram escravizadas para fazer este transporte do meio da selva equatorial (equatorial mesmo por ficar debaixo da linha do equador) e mediante incentivo de chicotadas bem aplicadas que provocavam muitas mortes, devido às feridas, e ao pouco alimento, as peças chegavam à Europa, encantando o mundo.
Para evitar
perdas por fugas da mão de obra do transporte das peças de marfim todos os portadores eram acorrentados pelos pés, uns aos outros, o que requeria um esforço adicional para o deslocamento.
Está achando exagerado? Porém, tem muito mais e não vou nem falar aqui.
Quanto à borracha o que se fazia era
mais humano. Aprisionava-se as mulheres e crianças de tribos e se fazia ver aos homens que se não colhessem tantos quilos de borracha nas selvas nos próximos 20 dias iriam encontrar a sua família reduzida quando voltassem.
E quem não cumpria a missão encontrava mesmo umz família menor quando voltava. Como pena adicional tinha a mão direita cortada com um golpe de facão.
A conta mais benevolente de quem estudou a história do Congo belga chega a 8 milhões de negros mortos, contra os 6 milhões de inimigos do reich executados pelos nazistas.
Apesar da deficiência dos meios jornalístícos da época e apesar da “quase certeza” de que negro não era gente como os brancos esta monumental sacanagem repercutiu no mundo e como castigo Leopoldo II teve de abdicar de sua fazenda africana em nome de seu país.
E o que era Congo do Leopoldo veio a ser Congo dos Belgas em que foram instaladas escolas, formados novos líderes embora a situação não tivesse, especialmente para as tribos ferradas, melhorado muito.
Se você quer saber mais dê uma pesquisada e prepare o seu estômago e sua consciência.
O estômago pois saber de mais detalhes sobre esta história é pior do que qualquer filme de monstro que você já possa ter visto. Pois nada disto é ficção: é realidade mesmo.
E a consciência para não se sentir inferiorizado como brasileiro quando ouvir qualquer crítica em relação a sacanagens que tenhamos feito com negros ou índios e brancos por aqui.
Nem se sinta um bandido por conviver com pessoas num país que captura micos leões para exportar para a Europa em troca de uns poucos dólares.
Os belgas praticamente acabaram com os elefantes do Congo e ninguém diz isto quando se fala da Bélgica hoje.
Ao olhar a cidades e vilas, ao conversar amenidades com as pessoas nas ruas, ao comprar tortas e sorvetes, ao apreciar prédios, ou ao comer em restaurantes não é possível associar aquelas pessoas com os seus antepassados em suas aventurar africanas.
Do mesmo modo que não dá associar o cara que nos traz um chopp e salcichas fantásticas na Alemanha a seu parente que ajudou a prender e matar os milhões de executados em campos de concentração.
No caso dos alemães trata-se de uma espécie de perdão. No caso dos belgas é por absoluto desconhecimento do que os belgas mais antigos fizeram.
Na Bélgica ninguém se sente “culpado” por coisa alguma ocorrida.
Não foram eles que inventaram nada daquilo, e os que fizeram só o fizeram por terem recebido ordens de quem era muito mais capacitado do que eles.
Até escrevi sobre este fenômeno no
Almanaque do Pio em maio de 2010Falei sobre o
experimento de Milgram e desafiei os leitores a escaparem de seus efeitos.
Vale a pena mesmo numa viagem de férias se questionar sobre estas coisas...De volta à nossas fériasMas nada desta história estava nas nossas cogitações quando saímos de Bruxelas para Kortrijk, um lugar surpreendentemente grande (quase 80 mil habitantes) no meio do caminho entre Bruxelas e Bruges.
Kortrijk é muito viva, pois tem muitos estudantes, dois shoppings maiores, hotéis, bares e restaurantes que atraem os habitantes das redondezas, além de uma feira no fim de semana que desde tempos medievais justifica a existência de vilas e vilarejos onde se pode fazer negócios.
Como não é uma cidade badalada como Brugges ou Ostende, no litoral, em Kortrijk não foram feitas concessões para atrair turistas.
As igrejas medievais são exatamente as mesmas igrejas dos séculos XIII, ou XIV que foram mantidas em pé, ou reconstruídas depois de sua destruição em alguma guerra.
Não são igrejas cenográficas.
Os sinos tocam muito para a população que tem maioria de católicos. As missas, porém, parecem raras. Embora as estatísticas mencionem maioria de católicos há uma apreciável percentagem dos belgas que não professam religião alguma.
A escassez de missas se dá por falta de padres, uma vocação cada vez mais difícil de se encontrar na nova Europa.
A preservação do que é antigo em Kortrijk não é para os outros verem, mas porque a população local não quer aparentemente mudar tanto assim as suas vidas.
Sempre me pergunto o que leva pessoas – em qualquer lugar da terra, inclusive no Brasil – a continuar vivendo em cidades pequenas onde a vida parece enguiçada. Tal como no filme sobre o tempo em que os dias enguiçam e se repetem numa cidade americana onde uma marmota prevê como será o inverno.
Minhas conversas capengas locais (em francês ou inglês) para tentar saber o que lhes atraia ali, cheguei a uma conclusão simplista: o que lhes impulsiona é a certeza de que se continuarem fazendo o que fazem, podem aspirar a uma vida longa.
O que vem a ser o sonho de todas as pessoas normais do mundo.
Nada de inventar muitas novidades, nada de apoiar mudanças que vão tornar a vida muito diferente daquela vivida pelos antepassados. Tudo isto gera stress e é anti vida feliz em cidades pequenas, especialmente em Flandres, na Bélgica.
O hotel em que ficamos o
Belford, na praça principal era um modelo do estabelecimento local adaptado ao movimento de visitantes. Instalações que incluem tudo o que um passante precisa ter numa visita curta: bons banheiros, boa cama, boa geladeira no quarto e bom café da manhã.
Além disto, as salas usadas no café da manhã viravam restaurante para almoço e jantar onde eram servidas as especialidades belgas, inclusive um incrível filé mal passado de boi limousin, Coisa muito boa até para concorrer com a melhor carne argentina.
Andar nas ruas antigas de Kortrijk permite a cada um reviver (ou viver) a experiência de andar em ruas de uma cidade do século XII. Não porque elas foram, tal como numa DisneyWorld, construídas para parecer medievais, mas porque elas são medievais mesmo.
De vez em quando há cantinhos retirados numa parede mais alta para ser usado como local para urinar. Mas, hoje, aparentemente não são usados estes locais, embora haja escoamento da urina para a rede de águas pluviais.
Como tudo na Bélgica (e em Flandres em especial) qualquer lugar a que você vá fica mais perto do que Teresópolis do Rio. Por isto usamos Kortrijk como base para explorarmos as redondezas.
Tudo sem hesitações, sem perguntar coisa alguma a qualquer pessoa nas ruas, que além de nos responder em flamengo possivelmente – como todas as pessoas a que se peça informações em qualquer lugar do mundo – possivelmente, repito, iria nos informar errado.
Com muitas exceções devo dizer aqui antes de meus companheiros de viagem que adoram pedir informações me estraçalhem...
Mas, a chave da independência em viagens é o GPS. “Tournez a droite, restez a gauche, en 700 metres, sortez à gauche”, a máquina e suas dezenas de satélites não deixam você entrar errado ou se perder nas mais emaranhadas cidadezinhas.
E foi assim que partimos para Brugges que além de seu peso na história do mundo tem um peso especial na história do nome de família:
Borges.Consta que o lusitano Gil Eanes, por volta dos 1400 lutou em Bruges, escapou vivo e recebeu do rei de Portugal um brazão com um leão rampante e a consagração de seu novo nome de família, Borges, uma corruptela de Bruges. Por isto ver Bruges tornou-se uma visita imperiosa.
Bruges e Ostende foram visitadas em idas de carro mais curtas do que se fôssemos da zona sul do Rio para visitar Guaratiba.
Mas há infinidade de coisas para lá ver e pensar.
Bruges esconde seus segredos com empenho. Para desvendá-los seriam precisos alguns dias a mais de que não dispúnhamos.
Na região uma boa alternativa seria comer moules, mariscos negros, frutos do mar no Norte gelado...
Mas, para comer frutos do mar achamos melhor ir até Ostende que fica à beira do mar.
O restaurante escolhido foi o
Restaurant Au Vieux Port, que fica no cais – a rua se chama Visserskaai e o número dele é o 32.
Os donos e operadores do
Vieux Port são o Albert e a Viviane. Um casal perfeito que demonstra em cada gesto e em cada prato a sua vocação para a gastronomia.
O restaurant tem também um site http://www.auvieuxport.be que vai dar mais detalhes sobre o que fazem lá.
O que nós comemos foi um prato de camarões com o sabor máximo que um prato de camarões pode ter. A foto dele vai aqui neste blog.
Que já está com 14 páginas e deve ter afugentado todos os leitores.
Vou parar por aqui e depois prossigo com mais observações sobre a nossa viagem que mal havia começado...